11/05/2019

Brasileira cria remédio que reverte overdose de cocaína

A Universidade Federal de Goiás (UFG) anunciou o desenvolvimento de uma nanopartícula capaz de capturar a cocaína em circulação na corrente sanguínea e, assim, evitar os efeitos da droga, até mesmo quando consumida em quantidades que causam “overdose” e podem levar à morte.

Testes mostraram que estrutura salvou cobaias em todos os casos. Agora, objetivo é chamar a atenção de indústrias farmacêuticas para desenvolvimento de medicações a partir do projeto.

 A nanopartícula é administrada por meio de medicamento intravenoso. Testes feitos com ratos nos laboratórios do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Fármacos, Medicamentos e Cosméticos da UFG, o FarmaTec, indicam a capacidade de captura de até 70% da cocaína no organismo e o retorno quase imediato da pressão arterial e dos batimentos cardíacos ao estado normal.


“A pressão arterial e os batimentos cardíacos começam a voltar ao normal cerca de dois minutos após a administração da nanopartícula que desenvolvemos”, diz a farmacêutica Sarah Rodrigues Fernandes, em material de divulgação da UFG. Ela é autora da pesquisa, que resultou em sua dissertação de mestrado defendida há três semanas no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da universidade.

“Ao capturar a cocaína, a nanopartícula mantém a droga aprisionada em seu interior. Não permite que a droga se difunda pelo cérebro ou outras regiões do organismo. Possibilita, então, que haja tempo para uma terapia de resgate”, explica à Agência Brasil a farmacêutica Eliana Martins Lima, orientadora do trabalho e professora de nanotecnologia aplicada à área farmacêutica.

A cocaína aprisionada na partícula é retida pelo fígado na passagem da corrente sanguínea e é destruída no metabolismo feito pelo órgão.O projeto foi desenvolvido pela pesquisadora Sarah Rodrigues Fernandes, com orientação da professora Eliana Martins Lima. A partícula foi feita a partir da nanotecnologia, que usa escala 1 milhão de vezes menor que o milímetro. A droga entra na estrutura, construída com moléculas, e evita que a cocaína continue agindo no corpo. Em seguida, a partícula é metabolizada no fígado lentamente.


“Fizemos todos os testes que podiam ser feitos em laboratórios. Nas cobaias, foi aplicada uma dose letal em seres humanos. Com essa partícula, conseguimos resgatar [as cobaias] do estado de overdose em todos os casos. Não houve nenhuma morte. Em três minutos elas já voltavam a parâmetros vitais mais controláveis”, disse Eliana Martins Lima.

O trabalho mostrou um resultado “surpreendente e muito satisfatório”, segundo a pesquisadora. “Isso comprova a relevância e importância da pesquisa feita. O número de casos de overdose cresceu 50% nos últimos 10 anos”, contou. - Fonte Agenciabrasil

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