23/10/2019

Paulo Coelho diz que foi entregue por Raul Seixas a ditadura

'Não Diga que a Canção Está Perdida', de Jotabê Medeiros, traz documento que sugere colaboração com militares

Ao comentar uma reportagem da Folha sobre o lançamento de “Raul Seixas: Não Diga que a Canção Está Perdida”, do jornalista Jotabê Medeiros, o escritor falou pela primeira vez sobre o caso no Twitter.
'Fiquei quieto por 45 anos. Achei que levava segredo para o túmulo', escreveu. Paulo não quis participar da reportagem, segundo citou a Folha.

Paulo Coelho não falou à reportagem para elucidar o episódio. “Não sou o tipo de pessoa que gosta de ficar olhando para chagas que já cicatrizaram”, teria dito por email.

O caso teria acontecido em maio de 1974, quando Raul e Coelho desfrutavam do sucesso de “Krig-ha, Bandolo!”, disco lançado no ano anterior e que já tinha mais de 100 mil cópias vendidas.

Segundo Medeiros, Raul havia sido chamado para dar um depoimento no Departamento de Ordem Política e Social, o DOPS, e ligou para Coelho para acompanhá-lo e ajudá-lo a dar os esclarecimentos sobre as músicas que haviam feito em parceria. Paulo Coelho não sabia, mas essa não era primeira vez naqueles dias que Raul ia ao prédio.


“Comparei as datas e vi que, entre o primeiro depoimento de Raul ao Dops e o segundo depoimento, no qual ele levou Paulo Coelho, demorou pouquíssimo tempo”, diz Medeiros à Folha.

Raul teria entrado no Dops e ficado lá por meia hora. Voltou tentando dar algum recado cifrado ao amigo, que o esperava. Coelho não entendeu e foi chamado para o interrogatório, que incluiu perguntas sobre o livreto que acompanha o disco “Krig-ha, Bandolo!” e a Sociedade Alternativa cantada por Raul.

A polícia foi até o apartamento do escritor e prendeu sua namorada, Adalgisa Rios. No dia seguinte, quando liberado, Coelho pegou um táxi com Raul, mas foi capturado novamente e levado para um lugar desconhecido, onde sofreu torturas por duas semanas.


3 comentários: